a profundidade da superfície#2: fragmentos para meu irmão (exercício)
pro zé guilherme e pro julius
os olhos [tristes] do meu irmão
fecham[-se]/ fotografam[-se]/[em] todas as mortes
fechou [fecharam-se]/onde a vida pára e começa pára começa e ____________.
os olhos do meu irmão tocam
[a dor a alegria] [o que não é dor ou alegria]
onde já não há mais dentro fora dentro fora ____________
uma carne só vermelha enquanto gota
_______ transparente enquanto seca
os olhos do meu irmão não somente lágrimas
cortam demasiado fundo
[não o bastante para serem vistos]
ser que não é
uma pessoa com um pacote cheio de papel na mão só pode ser uma pessoa não de bigorna na mão. nem de mandacaru no chão.
uma pessoa com um pacote cheio de papel na mão só não pode ser uma pessoa de papel com um pacote cheio na mão.
uma pessoa cheia de papel à mão não é uma pessoa de papel à mão-cheia.
um envelope cheio de papel com uma pessoa na mão não é um envelope cheio de pessoa com um papel na mão.
uma pessoa na mão não é uma pessoa cheia de papel na mão. não é um envelope cheio de papel no chão ou um papel cheio de envelope na mão.
uma pessoa
cheia de envelope
com um papel na mão
pediria a ajuda de um carregador
chamaria um aio
uma ama
uma liteira
pediria uma uma enceradeira
um cortador de grama
uma mamadeira
uma pessoa com uma mamadeira na mão não é uma pessoa com um envelope de papel no chão. há quem diga que não.
da série: helder, lotufo, féres
no meio do pomar branco
o coração-arquipélago é maçã
vermelho no pomar
é maçã o coração
e as três linhas de pomar branco
soltas no espaço como coração-estrela
o coração faz-se espiral
verde no pomar bordado
no meio do vermelho do verde coração branco
é maçã o coração o verde o vermelho o pomar
do julius
quando conheço uma pessoa pela primeira vez
o mundo percorre a inversão água dentro
em dia passa o mal em parte.
a ordem destrói cada segundo
em sua lembrança para onde se faz o medo.
escrever para destruir o vazio desse nosso encontro
caneta-papel ou do desastre texto-leitor;
fizera poesia para tudo, menos para…
o hoje reinicia máquina–homem
e até o fim homem produto nada será como é
……..
tem uns dias / meses que estou com esse poema na minha cabeça. e é do julius.
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agradecida =)
dia a dia, pouco a pouco
eu, fred, julius: não macule minha faca com o site quase nos trinques: em breve também lá vídeo/música/poema
da série: helder, lotufo, féres
livro é múmia.
grávida é mala de coração.
livro carrega palavra/
múmia é mala enfaixada
/um feixe de palavras no coração
faz o poeta romântico/
/múmia é estátua/palavra sepultada/
grávida não carrega múmia no coração
não macule minha faca apresenta photomaton & vox no Museu Oi Futuro
não macule minha faca é um coletivo intermídia formado por julius, a poeta Letícia Féres e o músico Frederico Pessoa. Os três artistas se apresentaram pela primeira vez em homenagem à poeta Hilda Hilst, no projeto Terças Poéticas, no Palácio das Artes, em agosto de 2007.
O coletivo não macule minha faca apresentará photomaton & vox no Multiespaço do Museu Oi Futuro, dia 27 de março, às 19h. Entrada franca.
Frederico Pessoa
Músico, estudou violão clássico e teoria musical com Guilherme Poliello, da Fundação de Educação Artística, e tecnologia de MIDI – Técnicas de Gravação e Produção Musical, no Morley College, em Londres. Participou de projetos multimídia com a falecida artista plástica Gisele Lotufo e com outros artistas. Compôs trilhas sonoras para espetáculos de dança, como Holográfico (Francisco Nunes/2004 e FID, em 2005/2006) e Conversações (Teatro Alterosa – 1,2 na Dança, em 2005). Apresentou o projeto Butterbox – música eletrônica para ver e ouvir, em 2006, na Casa do Baile, e no SIM – Som, Imagem e Movimento, na Unileste. Seus net EPs estão disponíveis na Internet pelo selo americano Kikapu Net Label e pelo português Enough Records. Atualmente trabalha compondo trilhas para vídeo e com o projeto Butterbox.
julius
Designer e cyberpoeta. É aluno da Pós-Graduação em Design de Interação na PUC Minas e bacharel em Letras pela UFMG, com formação complementar em Artes Visuais. Cursou parte da Graduação em Filosofia na UFJF e tem formação técnica em Eletrônica. Integrou o grupoPOESIAhoje e, entre cursos mais importantes, participou do Palavra falante: a voz na poesia, com o poeta Ricardo Aleixo. Além disso, fez parte da Oficina de Escrita da Flip com o escritor Raimundo Carrero, e da Oficina de Escrita Cinemática com o poeta Maurício Vasconcelos. Entre outros trabalhos, participou do Festival de Cenas Curtas, com Parágrafo 175, como videomaker; da Bienal de Poesia de BH, com a instalação-performace: Labirinto, e da IV Mostra Novos Ilustradores, da EBA/ UFMG, com o livro-objeto Despertador. Tem poema publicado no Catálogo do projeto Terças Poéticas. Atualmente é designer de interfaces no Centro de Comunicação da UFMG.
Letícia Féres
Poeta, editora de textos e redatora, é bacharel em Letras pela UFMG com aperfeiçoamento em Edição de livros, na Universidad Complutense de Madrid. Foi integrante do grupoPOESIAhoje e fundadora do Jornal Estilingue: literatura e arredores, periódico do corpo discente da FALE/UFMG. Alguns de seus poemas foram publicados nos projetos Arte no Ônibus (Telemig Celular/PBH) e Terças Poéticas. Além disso, teve poemas premiados na II Bienal de Piores Poemas, organizado pelo Grupo Oficcina Multimedia. Seus livros-objetos Zoé (em parceria com Cíntia França) e Apontamentos de Amor e Solidão, de Mariana Alcoforado foram expostos na IV Mostra Novos Ilustradores, da EBA/UFMG. Atualmente é revisora da Editora UFMG e desenvolve projetos de promoção da leitura para a Biblioteca da Escola da Serra.
Site: naomaculeminhafaca.org
E-mail: porfavor@naomaculeminhafaca.org



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