onde andará dulce veiga?

we tell stories

Publicado em classificados, mercado editorial, sobre poesia e literatura por letícia féres em maio 6, 2008

a penguin books se uniu a six to start para criar o projeto we tell stories: autores foram convidados a recriar clássicos da literatura para o suporte internet. 

acho que o pessoal está tentando coisas muito legais, mas ainda falta algo: não sei se a mim – desgrudar do papel – ou a eles – explorar melhor a tecnologia, de forma a (não) contar uma história. mas é uma boníssima tentativa.

aproveitando o assunto, fui ver geraldo, do grupo tronco, movida pelos vídeos do éder santos. o vídeo acabou ilustrando demais a peça, mas valeu a pena ir lá. 

embora a peça seja meio chata (podia ter menos 30 minutos), gostei da maneira como o grupo tentou não contar uma história. bom também foi o modo como eles conseguiram explorar corpo e materiais no cenário: visualmente a peça é linda.

bom, geraldo é muitíssimo melhor do que minha criticazinha vaga & xinfrim. vale conferir o grupo tronco: o trabalho é radical e tem qualidade.

geraldo tá no francisco nunes, até 11 de maio. quinta a sábado às 21h e domingo às 19h. entrada: R$ 14,00 inteira. meia entrada para as categorias previstas em lei – e para quem tem geraldo como primeiro nome (adorei isso).

 

o futuro do livro

Publicado em classificados, mercado editorial, sobre poesia e literatura por letícia féres em abril 30, 2008

achei ótimo! vejam aqui. peguei lá do blog do anderson (querido e sumido - a não implica b).

poesia e mercadoria

Eu sempre achei descabida a discussão em torno da cisma de escrever “poeta” no campo de “profissão” do formulário do banco, como há muito querem alguns poetas (ou músicos?) daqui de BH. Acho que isso é coisa de rir mesmo: eu, se fosse gerente de banco, ia rachar de rir de um negócio desses.

Eu, que sou gerente só da minha vida – e já está ótimo, estava lendo uma coisinha que deu uma luz tão grande pra esse blá blá blá, que fiquei encantada e não pude deixar de postar: vejam aí abaixo. E é como dizem por essas bandas daqui da minha casa: se foi Leminski quem falou, quem sou eu pra dizer o contrário?…

Os senhores mirem e vejam:

“A poesia seria cúmplice, desde o início, desse sentimento que se chama amor. Eu acho que é uma coisa perfeitamente lógica, natural, porque a poesia, se vocês olharem bem, ela é o amor entre os sons e os sentimentos. Ela já é na sua substância, intrinsecamente, ela já é amor, já é aproximação, no sentido que é amor entre os sons e os sentidos, num sentido que a prosa não é. É por isso que a poesia não morre. Por que essa coisa tão inútil que não consegue sequer se transformar decentemente em mercadoria num mundo mercatório, esse mundo em que vivemos? Qualquer editor principiante sabe: poesia não vende. Existe esse hiato, realmente poesia não vende, e é bom que não venda! Sabe aqueles que reclamam dizendo, é um absurdo, um país como o nosso, não sei o quê, tchê, tchê, pá, pá, e poesia não vende. Vamos nos rejubilar. Poesia não vende. Poesia é ato de amor entre o poeta e a linguagem. E esse é um território como se fosse assim uma reserva ecológica do mercado em que vivemos que resiste ao fato de se transformar em mercadoria. Não é uma infelicidade e nenhuma inferioridade da poesia escrita, falando da poesia escrita, da poesia, escrita, da poesia livro, a dificuldade dela em se transformar em mercadoria é uma grandeza.  Quem não entender isso não entende a verdadeira natureza da poesia, ela é feita de uma substância que é, basicamente, rebelde à transformação em mercadoria. A gente pode criar um mundo assim, um império total da mercadoria, tudo pode ser vendido, coisas, sensações, as coisas mais incríveis, os momentos mais emocionantes. Uma coisa, porém, não pode ser transformada em mercadoria, que é o amor. Amor é dado de graça, alguém pode comprar amor? Pode-se comprar o sexo de outra pessoa, mas o amor a gente sabe que é o último reduto que resiste à transformação em mercadoria.”

- É do Pauleminski, “Poesia: a paixão da linguagem”. Tá no livro Os sentidos da paixão.

 

Só pra dar um finalzinho aqui: ultimamente tenho ganho a vida com meus textos. Não tenho “poeta” na minha carteira de trabalho, mas tá lá: “redatora”. Redator e o escambau não é o mesmo que ser poeta de carteira assinada. Escritor de carteira assinada é o mesmo que o José Costa, do Budapeste. Só vivendo pra saber. Poeta de carteira assinada nunca vi, e esconjuro se um desses chegar perto de mim.

…………………….

Com essa discussão toda aí de cima, me lembrei que Lenise Regina, amiga querida que também ganha a vida escrevendo (além de ser uma das melhores poetas que conheço!, um exemplo de que uma coisa não exclui a outra) tá com coluna sobre publicidade, propaganda, escrita, literatura e demais parangolés no site Casa do galo. Lenise escreve lá sempre às segundas, olhem só que beleza!

pena que só vi agora (é cada uma…)

Publicado em coisas da vida, livrarias e editoras, livro etc., mercado editorial, samba e canção por letícia féres em fevereiro 13, 2008

Editora cai no samba
PublishNews - 01/02/2008
A Nenê de Vila Matilde – a mais antiga escola de samba de São Paulo – vai homenagear Câmara Cascudo em seu enredo no Carnaval 2008. Herdeiros do historiador potiguar estarão na avenida, alguns no carro abre-alas e outros no chão, sambando no pé. A Global Editora, que publica as obras do professor Cascudo, apoiando a iniciativa da escola, criou uma ala, onde desfilarão aproximadamente cinqüenta pessoas entre os quais o diretor Luiz Alves Junior e a esposa Cidinha Alves, ambos com mais de sessenta anos, funcionários de todos os departamentos, colaboradores e amigos da casa. O carro abre-alas da escola foi batizado de “Dicionário do folclore brasileiro”.

- lá no cronópios

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