onde andará dulce veiga?

lula, o bandido da luz vermelha e eu ou “isso aqui ô-ô…”

o nosso presidente é mesmo impagável. eu, ao contrário do millôr (perdoem o link para a veja só, mas a causa é nobre), ainda continuo maravilhada a ouvir as “descobertas insuperáveis do óbvio” do lula (vem daí o “óbvio ululante” do nelson rodrigues? ai, como sou engraçada…).

bom, sei que a notícia é velha (saiu em todos os jornais de 28/03), mas é impossível não deixar aqui o trecho do discurso do presidente, durante o fórum empresarial entre brasil e méxico, dia 27/03, em recife, sobre o impacto da crise nos e.u.a. no país:

“eu liguei para ele para falar: bush, o problema é o seguinte meu filho: nós ficamos 26 anos sem crescer. agora que a gente tá cescendo,vocês vêm atrapalhar, pô? resolve, resolve a tua crise.”

existe algum discurso mais concatenado com o carnaval que é este país? mais do que isso só oswald e joaquim pedro de andrade, uma pitada de bandido da luz vermelha e o cordão do bola preta. não é ironia não: eu realmente acho isso sensacional.

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ainda sobre lula e seus impagáveis dizeres que se transformam em tradução da alma nacional: alguém aí se lembra do discurso do lula que virou música? Rap da urucubaca: julius tirou essa pérola do fundo de uma gaveta empoeirada da minha memória. (que bonito é metáfora, né beim?)

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e isso me faz lembrar duas coisas:

uma: zé miguel wisnik, na sua última aula-show no conservatório da ufmg, contando que, no lançamento de budapeste em nova iorque, a platéia americana ficou chocada depois de saber por paul auster que no brasil chico buarque é um dos maiores representantes da canção popular e da literatura contemporânea, ao mesmo tempo.

duas: ivan cardoso, no estado de minas de segunda(-feira!), sobre o lançamento do seu filme o lobisomem da amazônia ainda este ano:

terrir: ‘esta é uma fórmula infalível para atrair o grande público para o escurinho do cinema: sexo, terror e comédia, em doses exatas. inventei o gênero. fiz, antes de a hora do espanto, filme de vampiro filmado de dia, em que nosferatu vai à praia. não tinha dinheiro, nem conhecimento para fazer filme com iluminação. então, rodei de dia e pus a legenda: ‘onde se vê dia, veja-se noite’. é este o cinema que sei fazer: filmes que têm humor, terror e as mais lindas atrizes brasileiras completamente nuas’.

vanguarda popular: ‘não tenho vergonha de dizer que faço cinema para ganhar dinheiro, para encher as salas. cinema é pop, é popular. é orson welles, quentin tarantino, coppola, john landis. sou vanguarda popular. convivi com os gênios da raça: sou discípulo do hélio oiticica, a minha estréia no cinema foi pelas mãos do rogério sganzerla, tive o torquato neto como ator. quem primeiro escreveu sobre meus filmes foi haroldo de campos.’”

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medito pois, sobre minha condição de pessoa humana singela, poeta e brasileira, sob o eco da locução do repórter esso (sobre o bandido da luz vermelha) no filme do sganzerla:

“UM HERÓI… OU UMA BESTA?”

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