onde andará dulce veiga?

considerações sobre a instituição casamento – V

Publicado em considerações sobre a instituição casamento por letícia féres em janeiro 26, 2009

- eu te amo, tá sabida?

- tou.

- então tatua.

os escombros do amor

ele colecionava canivetes e delicadezas. ela, antiguidades e amores. o dia do casamento foi marcado segundo a tradição do país: depois de colhida, a lâmina de uma ameixeira de qianxi foi guardada pela noiva por sete dias, junto ao peito. no oitavo, a madeira foi entregue ao noivo, que, junto com parentes, em ritual jamais revelado a ocidentais, escolheu a data perfeita. foi ele mesmo que entregou à noiva o melhor canivete que jamais tivera, para que ela retirasse a fina lâmina orgânica que os levaria ao dia da suprema felicidade conjugal. ela colheu a madeirinha como mandavam os antepassados chineses: imagens puras povoavam sua mente enquanto o fio cortava a árvore, delicadamente. tudo isso era o que ela se lembrava enquanto uma fina película de pó-de-arroz cobria a rudeza do mundo. “ó, a beleza do amor!”, gritava a avó no altar. mas era apenas a igreja que desmoronava sobre eles.

- é tudo verdade. cliquem aqui.

considerações sobre a instituição casamento IV

Publicado em considerações sobre a instituição casamento por letícia féres em maio 9, 2007

Marriage is for old folks

I love dancing
Crazy romancing
Fellas advancing constantly

Marriage is for old folks
Old folks, not for me!
One husband
One wife
Whaddya got?
Two people sentenced for life!

I love singing
Good healthy clinging
Quietly bringing on a spree

Marriage is for old folks
Cold folks!
One married he
One married she
Whaddya got?
Two people watchin’ tv!

I’m not ready
to quit bein’ free
And I’m not willing
to stop being me
I’ve gotta sing my song
Why should I belong
to some guy who says
that I’m wrong?

Doo doo dooo
de doo de doo
de-doo de-doo
doo doo doo
dooo

Cookin’ dinner
Lookin’ no thinner
Gray elbows and
a sudsy sea

Marriage is for old folks
Cold folks,
and it’s not for me!
One husband
One wife
Whaddya got?
Two people sentenced for life!

I’m exploding
with youth and with zest
Who needs corroding
in some vulture’s nest?
I’ve gotta fly my wings
Go places, do things
My freedom bell’s really
gonna ring!

Doo doo dooo….

I’ve been through years
Too many blue years
Now I want New Year’s every eve

Marriage is for old folks
Marriage is for cold folks
One husband
One wife
Whaddya got?
Two people sentenced for life

Marriage is for old folks
Marriage is for cold folks
Not for me
Can’t you see
Marriage ain’t for me

- do Mort Shuman e Leon Carr. Mas com a vozinha da Dona Nina, a Simone.

considerações sobre a instituição casamento III

Publicado em considerações sobre a instituição casamento, escritos de outrem por letícia féres em novembro 10, 2006

A alumiada surpresa.

Alvava.

Assim; mas era também o exato, grande, o repentino amor – o acima. Sionésio olhou mais, sem fechar o rosto, aplicou o coração, abriu bem os olhos. Sorriu para trás. Maria Exita. Socorria-o a linda claridade. Ela – ela! Ele veio para junto. Estendeu também as mãos para o polvilho – solar e estranho: o ato de quebrá-lo era gostoso, parecia um brinquedo de menino. Todos o vissem, nisso, ninguém na dúvida. E seu coração se levantou. – “Você, Maria, quererá a gente, nós dois, nunca precisar de se separar? Você, comigo, vem e vai?” Disse, e viu. O polvilho, coisa sem fim. Ela tinha respondido: – “Vou, demais.” Desatou um sorriso. Ele nem viu. Estavam lado a lado, olhavam para a frente. (…)

Sionésio e Maria Exita – a meios-olhos, perante o refulgir, o todo branco. Acontecia o não-fato, o não-tempo, silêncio em sua imaginação. Só o um-e-outra, um em-si juntos, o viver em ponto sem parar, coraçãomente: pensamento, pensamor. Alvor. Avançavam, parados, dentro da luz, como se fosse no dia de Todos os Pássaros.

- Guimarães Rosa, “Substância”, Primeiras Estórias.

considerações sobre a instituição casamento II

Publicado em considerações sobre a instituição casamento por letícia féres em novembro 5, 2006

 

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considerações sobre a instituição casamento I

Publicado em considerações sobre a instituição casamento por letícia féres em outubro 31, 2006

- você me ama?

- amo.

- mesmo?

- mesmo.

- … mas você jura?

- juro, meu amor…

- diante do padre?

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