india song
mostra de filmes da duras no ano da frança no brasil e eu aqui me lembrando daquela sexta-feira, 2004? dez da noite depois de aula e trabalho, eu estava no cine humberto mauro com daniel, rené e cíntia para ver india song, roteiro e direção da duras. o tempo estava frio, se não me engano. vimos joãozinho, alice e lúcia castello branco na saída. o filme tinha duas horas de duração, mas a cada meia hora havia uma pausa para trocar o rolo. a fotografia era linda, a história eu não me lembro mais, mas provavelmente a história era o que menos importava mesmo. tudo o que eu via era lindo e lento, como a música que jeanne moreau cantava. e agora ouvindo a música novamente, vejo que o que realmente lembro do filme é a música. lembro-me também dessa cena que coloco abaixo, desse espelho, que, pelo que me lembro, não me deixava perceber o que era ação e reflexo. um filme bonito, sem dúvida, mas realmente chato. quem sabe se eu o tivesse visto em outro momento? vai saber. perdoem-me os mais sublimes.
lula, o bandido da luz vermelha e eu ou “isso aqui ô-ô…”
o nosso presidente é mesmo impagável. eu, ao contrário do millôr (perdoem o link para a veja só, mas a causa é nobre), ainda continuo maravilhada a ouvir as “descobertas insuperáveis do óbvio” do lula (vem daí o “óbvio ululante” do nelson rodrigues? ai, como sou engraçada…).
bom, sei que a notícia é velha (saiu em todos os jornais de 28/03), mas é impossível não deixar aqui o trecho do discurso do presidente, durante o fórum empresarial entre brasil e méxico, dia 27/03, em recife, sobre o impacto da crise nos e.u.a. no país:
“eu liguei para ele para falar: bush, o problema é o seguinte meu filho: nós ficamos 26 anos sem crescer. agora que a gente tá cescendo,vocês vêm atrapalhar, pô? resolve, resolve a tua crise.”
existe algum discurso mais concatenado com o carnaval que é este país? mais do que isso só oswald e joaquim pedro de andrade, uma pitada de bandido da luz vermelha e o cordão do bola preta. não é ironia não: eu realmente acho isso sensacional.
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ainda sobre lula e seus impagáveis dizeres que se transformam em tradução da alma nacional: alguém aí se lembra do discurso do lula que virou música? Rap da urucubaca: julius tirou essa pérola do fundo de uma gaveta empoeirada da minha memória. (que bonito é metáfora, né beim?)
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e isso me faz lembrar duas coisas:
uma: zé miguel wisnik, na sua última aula-show no conservatório da ufmg, contando que, no lançamento de budapeste em nova iorque, a platéia americana ficou chocada depois de saber por paul auster que no brasil chico buarque é um dos maiores representantes da canção popular e da literatura contemporânea, ao mesmo tempo.
duas: ivan cardoso, no estado de minas de segunda(-feira!), sobre o lançamento do seu filme o lobisomem da amazônia ainda este ano:
“terrir: ‘esta é uma fórmula infalível para atrair o grande público para o escurinho do cinema: sexo, terror e comédia, em doses exatas. inventei o gênero. fiz, antes de a hora do espanto, filme de vampiro filmado de dia, em que nosferatu vai à praia. não tinha dinheiro, nem conhecimento para fazer filme com iluminação. então, rodei de dia e pus a legenda: ‘onde se vê dia, veja-se noite’. é este o cinema que sei fazer: filmes que têm humor, terror e as mais lindas atrizes brasileiras completamente nuas’.
vanguarda popular: ‘não tenho vergonha de dizer que faço cinema para ganhar dinheiro, para encher as salas. cinema é pop, é popular. é orson welles, quentin tarantino, coppola, john landis. sou vanguarda popular. convivi com os gênios da raça: sou discípulo do hélio oiticica, a minha estréia no cinema foi pelas mãos do rogério sganzerla, tive o torquato neto como ator. quem primeiro escreveu sobre meus filmes foi haroldo de campos.’”
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medito pois, sobre minha condição de pessoa humana singela, poeta e brasileira, sob o eco da locução do repórter esso (sobre o bandido da luz vermelha) no filme do sganzerla:
“UM HERÓI… OU UMA BESTA?”
sensacional
padre pedro e a revolta das crianças, no blog estranho encontro, de andréa ormond
o amor em cinco tempos
ontem vi o amor em cinco tempos, do françois ozon. o filme terminou, os créditos subiram, a música continuou e eu comecei a chorar. o ozon conseguiu fazer um filme simples e delicado, sem qualquer psicologização maluca que tente explicar na ficção aquilo que a gente não consegue entender na “vida real” (tem outro nome pra isso?).
porque acho que o amor é assim. tudo começa de uma forma inusitada, e a gente nunca sabe aonde – ou se – vai chegar. e o que acaba importando mesmo são os bons momentos, sempre. ou aqueles nem tão bons, mas que acabam construindo uma parte da vida. e é isso que faz valer a pena, ainda que no fim do amor a única coisa que sobre seja uma bela memória acompanhada de terrível deprê.
mas apesar de tudo isso, ou por isso mesmo, ainda não sei, estou feliz, com um sentimento de gilles e marion entrando no mar juntos pela primeira vez.

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