autocrítica e apologia
Autocrítica (desde logo apologética…): a falta de rigor. As contingências em que tem sido realizado nosso trabalho. A situação econômica. O trabalho mais importante nem sempre é nosso sustento. A falta de tempo. A necessidade de fazer, de ocupar um lugar vazio, de ter uma opinião e transformá-la em moeda corrente – tudo isso contra a necessidade de continuar vivo e vestido e abrigado em meio à crise inflacionária. Mais uma vez, a falta de rigor. Os enganos cometidos. Os blunders. A pressa. As traduções malfeitas (…) A desordem. A contradição. “Do I contradict myself? Very well, then I contradict myself (I am large, I contain multitudes).” (Whitman). Os planos não realizados. O anunciado não cumprido. Aqui e ali, um julgamento apressado. Nostra culpa.
“Um ano de experiência em poesia”, Mário Faustino,
do livro De Anchieta aos Concretos, org. Maria Eugenia Boaventura.
mário faustino faz, em poucas linhas, um “nostra” culpa sobre os principais problemas que surgem quando se é forçado a ter uma produção artística constante, quase industrial. nesse texto “Um ano de experiência em poesia”, faustino faz um balanço sobre o primeiro ano de atividades da página semanal que ele assinava no jornal do brasil, entre 1956 e 1956, chamada poesia-experiência. o compromisso do artista com a experimentação, não necessariamente com o êxito, é o que mais me chama atenção nesse trecho.acredito que esse seja também um compromisso com a construção da própria integridade – da inteireza, como prefere sophia andresen. é aquilo que desaliena e retira o público e artista da dimensão do espetáculo.
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também de 2009
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