saiu hoje, na folha, o artigo “o desejo do contemporâneo”, assinado pelo antonio cicero. dá pra ler o texto aqui, no site do recanto das letras.
renatinha me mandou um e-mail sobre o artigo:
fiquei com uma pulguinha atrás da orelha com o texto do Antônio Cícero publicado hoje na Folha………muito bem escrito, como sempre, mas o recorte de Deleuze, não sei não………me parece que Deleuze quis dizer contra a ideia de livro sagrado, acima do bem e do mal, cartilha da verdade, dono de toda a sabedoria etc etc………..e pra falar a verdade, sempre fico irritada com esse discurso de ler os clássicos, acho que é trauma de trabalhar com professor engessado………….porque todo mundo já sabe que é fundamental ler os clássicos, quem é contra isso, meu Deus????…………mas quase todo mundo joga pedra em ler os contemporâneos, como se eles sempre fossem inferiores a………………….alguns deles serão os clássicos do futuro……….**
e eu aí fiquei pensando que é engraçado como o antonio cicero não considera níveis diferentes de contemporaneidade. posso ser contemporânea da máquina de escrever, do nicholas negroponte, do josé sarney, do iphone e do fogão à lenha da casa da minha avó. aliás, sou contemporânea da minha avó e do filho do meu sobrinho.
ultimamente tenho pensando muito que esse amor aos clássicos revela, sim, uma tentativa de manter determinadas castas intelectuais ainda hoje, tempo em que, teoricamente, todos têm acesso aos saberes. a academia sacraliza o saber erudito, a poetagem pop sacraliza esse saber contemporâneo de que o cicero fala. e onde nós, que buscamos algo além, ficamos?
nunca fui contemporânea à ideia de paideuma, do ezra pound. prefiro, assim como o mario chamie, a mãedeuma, bem mais afim com certa contemporaneidade matriacal. não posso acreditar que ter lido cassandra rios tenha sido menos importante do que ter lido shakespeare, para a minha história da literatura individual.
como disse francis ponge, poeta de quem, quero crer, sou contemporânea esteticamente, “se eu prefiro la fontaine, a mais ínfima fábula, a schopenhauer ou hegel, eu bem sei por quê.”
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ah, e e eu adoro os poemas do antonio cicero =)
Eu tinha que ler um texto do Antônio Círero sobre Kant, mas tô enrolando…
Ei Lets, adorei seu comentário! Mãedeuma é bom tem hora. Mas tem hora que irmãodeuma é ainda melhor. E amigodeuma então, nem se fala. Tudo depende da hora. Enquanto eu lia o artigo eu ia pensando exatamente isso. Da multiplicidade de coisas que acontecem hoje. Me pergunto: somos mais contemporâneos do Bush ou do Barack Obama? Do Cego Oliveira ou do Sérgio Pererê? Mas gosto especialmente de uma frase provocadora que tem no final do artigo:
“no lugar de tratar um livro como normalmente se escuta uma canção, acho mais proveitoso, de vez em quando, escutar algumas canções com o respeito e a atenção especial que o bom leitor jamais deixará de dedicar aos bons livros”.
Às vezes faço isso ouvindo Lia de Itamaracá.