Sempre rejeitei a idéia do som pelo som. A meu ver, o som é sempre o pólo complementar daquele elemento fundamental da música, sem o qual a vivência artística não é possível: o silêncio. É tarefa do compositor anulá-lo, para depois restituí-lo. O som tem por função produzir, enfatizar, intensificar e conscientizar o silêncio. Não me refiro ao silêncio no sentido da não-existência do sim, mas sim no sentido de “sei jaku”, ou seja, calma interior e equilíbrio, como fundo originário da vivência espiritual, condição de ordenação e critério de conteúdo e valor.
De fato, prezado professor, para mim, música é arte somente quando - e isto sempre foi assim – permite esquecer o som e causar um estado de equilíbrio interior. Portanto, quando a música se torna silêncio ativo, por assim dizer.
- Koellreutter, em carta a Satoshi Tanaka. Está no livro do músico alemão, À procura de um mundo sem “vis-à-vis: reflexões estéticas em torno das artes oriental e ocidental.