soneto
e aquela noite. a branca eléctrica tempestade. o lago
em chamas. tu a dormires tão ruidosamente. os teus grandes ossos.
a testa macia. a tua pálida boca seca. a pele gretada do lábio a escamar. limpá-la com dentes de precisão de ponta de agulha.
mascar e rolar num minuto uma bola translúcida
e cuspi-la contra o horizonte. pele. é tão
maravilhoso descascar-te as costas depois do verão. um perfeito
lençol de pele. observa atentamente a tatuagem alguma loira.
a tua espinha fóssil. a insalubre mancha oliva debaixo
a premir o véu de pele contra a minha cara. a chupar
um pouco a cada inspiração. um ferrão inunda as águas-furtadas
por baixo da pele. no crânio o tornado elétrico.
chupando mais e mais a cada inspiração. a erecção da pele todos os símbolos
de uma felicidade. eu estava tão maravilhada tão tocada eu amei-te tanto.
- patti smith, witt, trad. de alexandre vargas.
***
achei isso tão bonito… e não é à toa que ela dedicou o livro a rimbaud e burroughs. e, não sei por que (sei sim, o ritmo), me fez lembrar você.
neste post vai um boa-noite dentro de uma garrafa.
da série “diálogos mancos”…
outro
Maio 26, 2008 em 5:18 pm