onde andará dulce veiga?

o bartolomeu Maio 20, 2008

Arquivado em: coisas da vida, escritos de outrem — letícia féres @ 3:17 pm

bartolomeu campos de queirós é unanimidade, ao menos aqui em bh, como exemplo de um grande escritor: aquele que é uma grande pessoa e escreve textos que produzem alguma eletricidade em nós.

eu não tenho muita paciência para os textos memória/infância/minas - o bartolomeu campos de queirós é conhecido pelo tratamento que dá a esses temas -, mas mesmo assim me enveredei pela leitura dos livros desse autor. e é inegável que isto seja lindo:

 

“Era silencioso o amor. Podia-se adivinhá-lo no cuidado da mãe enxaguando as roupas nas águas de anil. Era silencioso, mas via-se o amor entre os seus dedos cortando a couve, desfolhando repolhos, cristalizando figos, bordando flores de canela sobre o arroz-doce nas tigelas.

Lia-se amor no corpo forte do pai, no seu prazer pelo trabalho, em sua mansidão para com os longos domingos. Era silencioso, mas escutava-se o amor murmurando – noite adentro – no quarto do casal. A casa, sem forro, deixava vazar esse murmúrio com aroma de fumo e canela, que invadia lençóis e dúvidas, para depois infiltrar-se por entre telhas.

Experimentava-se o amor quando, assentados no calor da cozinha – pai e mãe – falavam de distâncias, dos avós, das origens, dos namoros, dos casamentos.

E, quando o sono chegava, para cada menino em cada tempo, era o amor que carregava cada filho nos braços para a cama, ajeitando o cobertor por sob o queixo.”

- Bartolomeu Campos de Queirós, Indez.

 

 

pausa 4 Maio 20, 2008

Arquivado em: classificados — letícia féres @ 10:50 am

saiu nova edição do pausa. desta vez com fotos (lindas!) do leo drumond e, como não havia muitos outros colaboradores, um poeminha meu. também textos sobre dança contemporânea (que ainda não li) e mais poema e tradução. vejam .