onde andará dulce veiga?

o que é machismo Novembro 9, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 3:15 am

A TURBA DA UNIBAN

Contardo Caligaris


As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio


NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: “Pu-ta, pu-ta, pu-ta”.
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um “justo” protesto contra a “inadequação” da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre “vendido”) de duas maneiras fundamentais: “veados” e “filhos da puta”.
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, “veados” e “filhos da puta” são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: “veado”, nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos “veados”, por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser “usados” por seus ofensores. “Veado”, nesse insulto, está mais para “bichinha”, “mulherzinha” ou, simplesmente, “mulher”.
Quanto a “filho da puta”, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. “Puta”, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de “querer”? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de “Zorba, o Grego”, com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

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agradeço à renata por ter me mandado esse texto, que foi publicado na coluna do contardo caligaris dessa semana na Folha de S.Paulo.

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e, hoje, o anúncio da uniban:

UNIBANanuncio2via dani arrais

 

imensurável e exato Novembro 4, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 5:13 am

ela dorme abraçada ao meu pé, coberta pelo edredom verde. ela está deitada de lado, do lado direito, mas sei que esse não é o preferido dela. ela está assim para alcançar meu pé frio. na verdade, agora ele já está quente, mas ainda não é minha hora de dormir. eu sei que no início do sono ela pode acordar sobressaltada, principalmente se o dia foi agitado. os dias têm sido tensos pra ela, hoje também foi assim. olho, e ela agora dorme um pouco emburrada, como efeito de tantos sobressaltos. ela ficou sozinha no trabalho, teve cólica, foi à terapia. amanhã será um novo dia. dormindo, ela aperta um pouco meu pé. é bom. amanhã acordarei com meus pés quentes – e antes dela. vou tomar banho e ouvirei o despertador dela tocar. sei que ela vai desligá-lo pra continuar dormindo. sairei do banho e me arrumarei o mais silenciosamente que não conseguir. ela vai acordar, vai sorrir. à noite vai dizer que não se lembra em qual momento pegou no sono. ontem ela dormiu abraçada aos travesseiros, e agora mesmo estávamos rindo disso. eu poderia dizer que é sempre assim, mas não é certo: é sempre diferente. se eu quisesse, eu poderia também não escrever. eu não escreveria e ainda assim saberia, é uma verdade. então eu penso que poderia olhar e apenas saber. mas aproveito a bela paisagem para um exercício.

 

de la extrañeza de las cosas Novembro 4, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 2:24 am
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LAS VACAS

para lenise regina

de un tiempo a esta parte, todo lo que no era libro se jugaba fuera, por la ventana. eran los libros agresivos que se apilaban por las paredes, como si espiasen al visitante secreto que llegaría, para de pronto atacarlo. allí, los libros eran vacas violentas amontadas en la parte superior del césped, durmiendo con los ojos abiertos, errando, paradas, mientras no llovía. las páginas brillantes de los libros de ilustraciones abiertos cuadruplicaban la luz del sol y alboreaban la vista. mientras la lluvia llegaba, la combustión de los libros explosivos alimentaba la casa, helaba la nevera, calentaba la batería del ordenador. inundados, los contenedores se agitaban en la cocina, organizados por rótulos que llevaban el nombre del papel en pasta que contenían. de un tiempo a esta parte, eran las vacas amarradas a los establos las que preparaban el alimento fibroso de los ciegos. sin nada mejor que hacer, eran las vacas que se acostaban en las islas de libros a perder el tiempo degustando combinaciones mejores o inferiores. del papel de rollo al papel de arroz, solamente las vacas no se sustraían al placer de masticar masticar masticar aquello que ahora sólo los peces leían.

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HELDER, LOTUFO, FÉRES

libro es momia.
embarazada es equipaje de corazón.

libro lleva palabra/
momia es equipaje enfajada

/un eje de palabras en el corazón
hace al poeta romántico/

/momia es estatua/ palabra enterrada/

embarazada no carga momia en el corazón

en el centro del huerto blanco
el corazón archipiélago es manzana
rojo en el huerto

es manzana el corazón
y las tres líneas de huerto blanco
sueltas en el espacio como corazón-estrella

el corazón se hace espiral
verde en el huerto bordado

en el centro del rojo del verde corazón blanco
es manzana el corazón el verde el rojo el huerto

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de la extrañeza de las cosas é o título da minha plaquete que participa projeto pliegues y despliegues. fiz a versão dos poemas (originalmente escritos em português), que passaram pela abençoada revisão de olalla hernández.

 

receita de tchai indiano Novembro 1, 2009

Arquivado em: culinária — letícia féres @ 11:50 pm

INGREDIENTES

1,5 litro de água
20 g de gengibre
160 g açúcar (cristal ou refinado)
10 cravos
3 paus de canela (de 6 cm)
10 sementes de cardamomo
100 g leite em pó
8 sachês de chá preto

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MODO DE PREPARO
Lave e rale o gengibre, na parte grossa do ralador. Em seguida, coloque o gengibre, o açúcar, o cravo e a canela em uma panela média em fogo médio-alto, mexendo de vez em quando. Separe 200 ml de água do total de 1,5 litros e dilua o leite em pó. Coloque o restante da água em uma outra panela em fogo alto para esquentar. Tire as sementes de cardamomo e, em um pilão, amasse-as até que fiquem em pequenos pedaços, quase como farelo. Quando o açúcar e o gengibre ficarem com uma textura de melado, levemente escuro, está na hora de adicionar o cardamomo e em seguida a água quente. Após alguns minutos, adicione o leite em pó diluído e deixe no fogo até que ferva. Quando ferver, desligue o fogo e adicione os sachês de chá preto e deixe descansar por 10 minutos. Pressione levemente com uma colher os sachês na lateral da panela, a fim de liberar todo o sabor do chá preto, mas muito cuidado para não estourar os sachês. Peneire uma vez em uma peneira grossa para remover as partículas
grandes e a canela. Para transferir a uma garrafa térmica, passe por uma peneira fina.
Sirva sempre quente. Pode ser armazenado na geladeira por 1 dia, lembrando que, antes de servir, ferver o tchai por 1 minuto.

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tirei essa receita de um site do qual não me lembro…

 

learn something every day Outubro 30, 2009

Arquivado em: coisas da vida, escritos de outrem — letícia féres @ 1:06 pm

abba

adorei os “minutos de sabedoria” do projeto learn something every day.

dica da rebeca bolite.

 

o homem absurdo Outubro 30, 2009

Arquivado em: escritos de outrem — letícia féres @ 12:47 pm

…”Tudo é permitido”, exclama Ivan Karamazov. Também isto cheira a absurdo, desde que não seja entendido de maneira vulgar. Não sei se ficou claro: não se trata de um grito de libertação e de alegria, mas de uma constatação amarga. A certeza de um Deus que daria seu sentido à vida ultrapassa em muito a atração do poder de fazer o mal impunemente. A escolha não seria difícil. Mas não há escolha e então começa a amargura. O absurdo não liberta, amarra. Não autoriza todos os atos. Tudo é permitido não significa que nada é proibido. O absurdo apenas dá um equivalente às conseqüências de seus atos. Não recomenda o crime, seria pueril, mas restitui sua inutilidade ao remorso. E também, se todas as experiências são indiferentes, a experiência do dever é tão legítima quanto qualquer outra. Pode-se ser virtuoso por capricho.

- Albert Camus, O mito de Sísifo

 

há muito tempo se espezinham o edifício itália e o hilton hotel Outubro 4, 2009

Arquivado em: classificados, escritos de outrem — letícia féres @ 6:02 pm

há (mais de) 30 anos, tom zé abria para o brasil “a briga do edifício itália com o hilton hotel”, uma questão arquitetônica delicadíssima que envolvia a supremacia de dois arranha-céus de são paulo. depois de tanto tempo, dimitri br foi ver como andava a questã e constatou que nem o edifício itália nem o hotel hilton estão, por assim dizer, tão em alta, e proclama, na música “a briga do edifício itália com o hilton hotel parte 2 – 30 anos depois”, que quem reina hoje, “sereno, suave e charmoso”, é o copan.

realmente genial a forma como dimitri recria a canção de tom zé. sua canção, gravada com a participação especial de zélia duncan, saiu no dia hum, projeto em que dimitri br, no dia primeiro de cada mês, coloca no ar um videocanção original.

bom, a seguir vai a música de tom zé e tb a tradução (é, vou chamar assim) de dimitri, 30 anos depois:

 

lindoia Outubro 4, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 5:09 pm
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aninhasim, essa é a ana. repare nos pelinhos com as extremidades brancas, típicos de uma bela gata do círculo polar. veja também que as orelhinhas e o olhar ausente denotam que ela deve estar achando péssimo ter uma câmera apontada pra ela. “leave me alone”, ana diria.

mas o que fazer se ela é linda e o paulim é um fofo que tira fotos da ana pra me mandar e eu matar a saudade? ana que dê o jeito dela.

e eu acho a ana tão linda e fofa (sim, a gata mais linda, doce e fofa com que alguém poderia conviver) que acabo colocando as fotinhas dela aqui no blog. é que sei que tenho amigos queridos que gostam de espiá-la também =)

 

gentileza Setembro 27, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 4:38 am
 

mafalda cabeção em: apenas gato Setembro 26, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 7:05 pm
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miau

a juli me mandou essa tirinha há tanto tempo… fiquei de postar aqui no blog, mas qual o quê! bom, agora tô postando! =)

 

inventário cotidiano Setembro 26, 2009

Arquivado em: sobre poesia e literatura — letícia féres @ 5:49 am

assim que vi o belíssimo  inventário coletivo, uma página de a mesa, de francis ponge, pulou da uma estante de minha memória até aqui embaixo, no meu suporte para leitura.

não que esse seja um livro, mas um poema-diário ou um livro-mesa, resultado da observação do móvel por quase seis anos. no livro, há poemas sem rima nem métrica (radicalismo do proema?), em que os versos se sobrepoem a outros versos-rascunhos-rasuras surgidos no processo de criação. um poema construído com rebarbas de si mesmo & outras sujeiras. nada do espetáculo que tem insistido em contaminar as artes. (assunto para outro dia.)

vejam a seguir um fragmento de a mesa, um oferecimento do google books. (clique aqui para ler o ótimo artigo  “google privatiza el saber”.)

Imagem5

***

A MESA

Escrito entre 21 novembro de 1967 – 16 de outubro de 1973

Publicado pela primeira vez em um número especial da revista Études françaises, 1981, Presses de l`Université de Montréal.

Edição brasileira: Editora Iluminuras, 2002. Tradução e apresentação de Ignacio Antonio Neis e Michel Peterson.

Boa introdução a Ponge (em pdf): “Francis Ponge: 1899-1988″, de Leda Tenório da Motta.

 

pro julius Setembro 24, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 6:18 am

no coração e nas pernas nenhum problema
também não no cabelo
nos pelos
na mão
na nuca
na virilha
no mindinho
no anular

nas pernas nenhum problema
e também não no coração

se procurar no cotovelo
no calcanhar
no coração e nas pernas nenhum problema

e não nunca também
no escalpo
no cabelo
nas tripas

no coração e nas pernas
nenhum

e na meia não
tampouco no sapato
debaixo da saia
não no meu zíper

não tem nenhum problema
não há de haver
é certo que não
nem unzinho
não tem

e não nunca também
não há nas partes moles
nas mais ou menos duras

na saliva
em nenhuma narina

problema nenhum se encontra também
onde não se acha
e se procura

debaixo da sola do pé
na estante
na terceira gaveta
ali, à direita

veja

***

julio me deu um susto danado esta semana: depois de um mês com diagnóstico de pneumonia, acabou descobrindo que na verdade estava com embolia pulmonar. ele foi internado e agora está bem, tomando dolorosas injeções na barriga, que estão tornando o sangue dele menos denso pro tal dos trombos se dissolverem rápido e deixarem meu amigo em paz. hoje só posso agradecer o trabalho que o julio tem tido ao longo dos anos para se manter um homem com corpo e mente saudáveis. foi só por esse esforço que ele hoje está vivo (a despeito das barbeiragens dos médicos), sem coágulos nas pernas e no coração, comendo os pratos vegetarianos especialíssimos que lenise produz e contrabandeia, por amor, para o quarto do hospital.

 

bibliomania Setembro 18, 2009

Arquivado em: livro etc. — letícia féres @ 3:02 am

Não! não era de modo algum a ciência o que ele amava, mas sua forma e expressão; amava um livro porque era um livro; amava seu cheiro, sua forma, seu título. O que ele amava em um manuscrito era sua data antiga e ilegível, os caracteres góticos bizarros e estranhos, as pesadas douraduras que carregavam seus desenhos; suas páginas cobertas pelo pó, pó cujo perfume, suave e delicado, aspirava com delícia: essa bela palavra finis, cercada por dois Cupidos, encerrada numa fita, apoiada sobre uma fonte, gravada sobre um túmulo ou repousada em uma corbelha entre rosas, laranjas e ramalhetes azuis.

“Bibliomania”, Gustave Flaubert, trad. Carlito Azevedo

 

ana em dois tempos Setembro 12, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 3:51 am

na_correria_ficavivo_paulo 465
pantera 

varias 218

verdamarela

fotos do paulim

 

sobre passear e estar no mundo Setembro 12, 2009

Arquivado em: escritos de outrem — letícia féres @ 3:41 am

As coisas não são, portanto, simples objetos neutros que contemplaríamos diante de nós; cada uma delas simboliza e evoca para nós uma certa conduta, provoca de nossa parte reações favoráveis ou desfavoráveis, e é por isso que os gostos de um homem, seu caráter, a atitude que assumiu em relação ao mundo e ao ser exterior são lidos nos objetos que ele escolheu para ter à sua volta, nas cores que refere, nos lugares onde aprecia passear.

Merleau-Ponty, Conversas – 1948

 

riu Setembro 12, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 3:29 am

rio de janeiro 103

beins

rio de janeiro 058

nova capela

rio de janeiro 126

biscoito globo agarra no dente

rio de janeiro 121

machu picchu

rio de janeiro 151

chico

rio de janeiro 152maicon l´atolerette

 

 

um outro poema que é quase um mantra para mim Setembro 12, 2009

Arquivado em: escritos de outrem — letícia féres @ 2:51 am

Quando eu era criança
brincava sozinho
num canto do pátio
da escola.

Eu odiava bonecas e
odiava jogos, os animais
eram inamistosos e os pássaros
levantavam voo e fugiam.

Se alguém me procurava
escondia-me atrás de uma
árvore e gritava “Eu sou
um órfão”.

E agora aqui estou, o
centro de toda a beleza!
escrevendo estes poemas!
Quem diria!

frank o´hara, tradução de josé alberto oliveira

 

ontem lá embaixo no canal Setembro 12, 2009

Arquivado em: escritos de outrem — letícia féres @ 2:46 am

Dizes que tudo é muito simples e interessante
isso torna-me muito melancólico, como se lesse um grande romance Russo
estou tão aborrecido
é quase como ver um mau filme
se não for, mais frequentemente, como ter uma doença aguda no rim
valha-nos deus que não é nada no coração
nada relacionado com gente mais interessante do que eu
yak yak
que pensamento divertido
como pode alguém ser mais divertido que o próprio
como pode alguém não ser
podes emprestar-me o teu quarenta e cinco
só preciso de uma bala de preferência de prata
se não se pode ser interessante pelo menos que se seja uma lenda
(mas odeio essa trampa toda)

frank o´hara, tradução de josé alberto oliveira

 

se vira nos 30 Setembro 10, 2009

Arquivado em: coisas da vida — letícia féres @ 4:55 am

 

lu_le_manray

pp_le

lu_le_calcadao_bh

 

tengo permiso de conducir Agosto 31, 2009

Arquivado em: coisas da vida, sobre poesia e literatura — letícia féres @ 10:24 pm

tengo_permiso

 

eu gosto dessa imagem. gostei tanto que resolvi capturá-la e trazer na bagagem. mas que interesse tenho nela? gosto dessa frase, a afirmação de que “tenho carteira de motorista”, sem nenhum oferecimento, nenhuma pergunta, nenhum golpe de marketing. apenas uma afirmação branquinha, com os papéis com o número de telefone picotados, meio arrancados e amassados, colados com durex no poste sujo, meio caracachento de cola velha grudada. o que mais me interessa é esse antimarketing, a dificuldade de informação, a precariedade e a falta de dados desse texto que anuncia, de forma incompleta, e não tenho certeza se não vende o produto que tenta promover.

bom, hoje me deparei com essa imagem novamente e  me lembrei que quando a vi e tirei a foto, pensei que ia conseguir fazer algo com ela. mas acho que o que eu tinha que fazer, já fiz (ou comecei a fazer de novo agora e daqui a uns dias eu termino, de fato, meu trabalho com essa imagem, depois de tantos anos?). enfim, agora ela está aqui para vocês. fiquem à vontade para usá-la, se quiserem fazer algo com a fotinha.