onde andará dulce veiga?

abane a cabeça, leitor

Posted in , coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011

sim, caro leitor, este blog voltou à vida! certo é que voltou com rascunhos de 2009 e 2010, mas não importa. a fênix está renovada, pronta para seu voo inaugural.

o gato

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011

Eu quero para a minha casa
uma mulher com o seu motivo,
um gato, entre os livros
amigos em todas as temporadas
sem as quais não posso viver

Alcools, Apollinaire


pelo visto em 2008 tentei traduzir alguma coisa!

heroes

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011

espaços soltos no espaço

criaturas boiam

marinhas

toda sereia já foi ave um dia

pergaminhos soltos no espaço

maçãs soltas

coisas que não sei o nome

a maçã

espaços soltos no espaço

a linha enorme em que cabe o seu nome

a linha onde seu corpo preenche o meu

podemos vencê-los,

é certo

você nada

flutua nada

afoga nada

boia

nada volta

retorna à superfície

boia atrevessa

já ouviu dizer que sereias eram aves?

não merlins, criaturas marinhas

peladas peludas

belezuras


2009 teve rascunho!

autocrítica e apologia

Posted in sobre poesia e literatura by letícia féres on agosto 26, 2011

Autocrítica (desde logo apologética…): a falta de rigor. As contingências em que tem sido realizado nosso trabalho. A situação econômica. O trabalho mais importante nem sempre é nosso sustento. A falta de tempo. A necessidade de fazer, de ocupar um lugar vazio, de ter uma opinião e transformá-la em moeda corrente – tudo isso contra a necessidade de continuar vivo e vestido e abrigado em meio à crise inflacionária. Mais uma vez, a falta de rigor. Os enganos cometidos. Os blunders. A pressa. As traduções malfeitas (…) A desordem. A contradição. “Do I contradict myself? Very well, then I contradict myself (I am large, I contain multitudes).” (Whitman). Os planos não realizados. O anunciado não cumprido. Aqui e ali, um julgamento apressado. Nostra culpa.

“Um ano de experiência em poesia”, Mário Faustino,
do livro De Anchieta aos Concretos, org. Maria Eugenia Boaventura.

mário faustino faz, em poucas linhas, um “nostra” culpa sobre os principais problemas que surgem quando se é forçado a ter uma produção artística constante, quase industrial. nesse texto “Um ano de experiência em poesia”, faustino faz um balanço sobre o primeiro ano de atividades da página semanal que ele assinava no jornal do brasil, entre 1956 e 1956, chamada poesia-experiência. o compromisso do artista com a experimentação, não necessariamente com o êxito, é o que mais me chama atenção nesse trecho.acredito que esse seja também um compromisso com a construção da própria integridade – da inteireza, como prefere sophia andresen. é aquilo que desaliena e retira o público e artista da dimensão do espetáculo.


também de 2009

tia ivete

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011

no santa bárbara a tia do interior se abaixava no carro, com medo de bater a cabeça. eu não vi, mas os irmãos chegaram contando naquele dia.

rascunho de 2009.

la novelas es mas comercial

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011
¿Es cierto entonces eso de que la cultura, y en concreto la poesía, es minoritaria?
Bueno, aquí hay un espejismo. La poesía es un género que, inicialmente, tiene menos lectores que otros, pero en cambio estos lectores pueden ampliarse y durar muchísimo más tiempo que los de cualquier otro género. En 1870, Rimbaud tenía una docena de lectores, hoy tiene más que muchos novelistas de su tiempo. La poesía juega con el tiempo a su favor, y la novela lo tiene en su contra. La poesía actúa de forma inversa al carácter instantáneo de la novela, que gana lectores enseguida y puede perderlos en diez años.
La novela es más comercial.
Sí, pero ese es un factor que viene después de publicarse. Salvo la que se escriba con esta finalidad, muy a menudo los éxitos comerciales sorprenden al propio autor. Me consta de ‘Cien años de soledad’ o ‘La verdad sobre el caso Savolta’, cuyos autores no esperaban el éxito que tuvieron. Los grandes ‘best sellers’ nacen sin que su autor sepa de antemano que van a serlo. Cuando el ‘best seller’ se concibe como encargo, es otro producto distinto, su misión esencial no es la literaria.
http://www.diariosur.es/20091115/cultura/nadie-ocurre-leer-poema-20091115.html


rascunho de 2009

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011

o plano agora é subir naquela pedra mais alta e olhar o mar. há uma cadeia de montanhas bem perto, e em algum momento acredito que não saí da cidade em que nasci. mas basta olhar para baixo, que a serra do cipó não me alcança mais, da mesma forma que há muito tempo deixou de me alcançar o pico do itajuru. a lagoa da pampulha já não me orgulha nem me enoja. porque é olhando para baixo que a onda zen me alcança. batenda contra a pedra, entrando por baixo da pedra – e sob a pedra é onde ela renasce, rebate e borbulha. a onda que não é mais a de hokusai, nem de zé miguel wisnik, é toda minha.

mais rascunho de 2010

Alguns toureiros e Composição

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011

João Cabral de Melo Neto, na conferência pronunciada na Biblioteca de São Paulo, em 1952, Poesia e Composição, apresenta sobre suas ideias acerca da inspiração e do trabalho da arte. Para ele, há duas famílias de poetas: a daqueles em que há a preponderância da inspiração e outra em que o trabalho de composição predomina.

Os poetas da “primeira família”, segundo o poeta pernambucano, veem na poesia uma forma de tradução de uma experiência vivida, baseada na emoção, na confissão, e não existe sem o poeta. É “um corte no tempo ou um corte no assunto”, uma forma de iluminar, ou melhor, poetizar determinado instante da experiência. Uma poesia pouco elaborada e cujo efeito estético não pode ser perfeitamente previsto e controlado pelo poeta: é conseguido mais pela entonação com que se lê o poema, sua música, do que por meio de um trabalho com a linguagem. Uma poesia que se lê “mais com a distração do que com a atenção, em que o leitor mais desliza sobre as palavras do que as absorve”.*

Contrariamente, os poetas da “segunda família” se impoem ao poema, procuram-no, em lugar de esperar que ele apareça, numa inspiração. Desenvolvem-no a partir de um tema que, por sua vez, é escolhido por um motivo racional. Trabalham o motivo exaustivamente, explorando as possibilidades da palavra, construindo uma linguagem própria: seu próprio gênero poético. Além disso, esses poetas articulam sua própria dicção a partir de um dado objetivo, concreto. Sabem que “sua riqueza só pode ter origem na realidade”. Trabalham com dados sonoros, mas também com os plásticos, dentro do poema.

Em Poesia e Composição João Cabral explicita sua posição sobre a poesia – que tantas vezes foi conceituada por ele em seus poemas, como, por exemplo, em “Alguns toureiros” , do livro Paisagens com figuras, de 1954.

Nesse poema composto por quadras, a imagem de cinco toureiros encontra relação com determinado tipo de flor – e funciona como uma metáfora sobre a existência de uma poética e de uma psicologia pessoal própria em cada poeta.

Assim, há Manolo González e Pepe Luís com sua “precisão doce de flor,/ graciosa, porém precisa.”; Júlio Aparício com a “ciência fácil de flor,/ espontânea, porém estrita”; Miguel Báez cultiva sua flor “angustiosa de explosiva”; Antonio Ordónez, sua flor antiga: “perfume de renda velha,/ de flor em livro dormida.”

Todos esses toureiros possuem sua beleza própria. Cada um recebe, após o fim da tourada, sua flor, cultivada durante a ação. Como se seu modo de tourear, sua arte, encontrasse relação com determinada flor.

Contudo, a ênfase é dada na apresentação de Manuel Rodríguez, Manolete – nota-se pela mudança do ritmo a partir do momento da chegada deste toureiro ao poema e no uso da conjunção adversativa: “Mas eu vi Manuel Rodríguez”. A partir daí o poema todo pára e se detém na figura deste toureiro.

A beleza maior de Manuel Rodríguez é ser deserto, agudo, mineral, desperto, duro como “lenha seca de caatinga”. A experiência de sua arte é feita com precisão, no limiar da morte. É o toureiro que sabe usar a técnica com exatidão para conseguir o efeito desejado do belo, num trabalho árduo e perigoso.

Os outros toureiros têm certa doçura e graça. Um cultiva o conhecimento da flor – fácil, espontâneo, mas exato. Outro tem sua flor explosiva, indomada. Esses toureiros se aproximam muito dos poetas “filhos da improvisação”. Têm uma beleza, mas uma beleza que não é trabalhada com afinco, é inspirada, e usa como ponto de partida a subjetividade do artista.

Manolete cultiva sua flor e pode demonstrar algo aos poetas, pois ele é o artista que “Durante seu trabalho, (…) vira seu objeto nos dedos, iluminando-o por todos os lados. E é ainda seu trabalho que lhe vai permitir desligar-se do objeto criado.” . É o asceta que cultiva o gosto pelas imagens duras, como o poeta que procura o verso possível de não ser feito, escrito em papel mineral.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

MELO NETO, João Cabral de. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999.

outro do rascunho :)

agora somos vanguarda

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 26, 2011

Esta semana passei um bom tempo da minha tarde discutindo um comentário no Facebook, sobre livros digitais. Acho curioso quando aparecem ideias que desdenham o livro digital ou atribuem a ele a capacidade de arrefecer, paulatinamente, a participação criativa do leitor. O argumento usado, nesses casos, é que o livro digital apresenta muitas facilidades – e distrações – para a leitura. Há também os argumentos fetichistas: “nada como o cheiro do livro”, “a sensação de tocar o papel”, “o ato de percorrer os olhos pela estante e encontrar o livro, tocando-o, num gesto suave, até resgatá-lo para a leitura”, como na seguinte passagem do livro de Elisabeth Bishop (que retirei do esquecido blog do René):

Num filme caseiro que o casal nos exibiu, o rapaz aparecia em sua biblioteca pegando um livro na estante. Ao fazê-lo, num gesto natural, ele soprava a poeira acumulada na parte de cima o livro. Marianne não conteve uma risada. Adorou esse detalhe; era um exemplo da “espontaneidade” que ela admirava tanto quanto a “delícia”.

(Elisabeth Bishop – Esforços do Afeto: Memória de Marianne Moore)

Sou uma das que tem amor pelos livros como objeto, gosto de vê-los, de tocá-los – só acho meio chato tirar a poeira, mas a gente dá um um jeitinho. Porém, acredito que utilizar esses argumentos para rechaçar qualquer possibilidade de contato com o conteúdo e o dispositivo digitais, criando uma resistência a favor do livro impresso, é como se fazer isso fosse necessário para avivar nosso amor e desejo por esses objetos perecíveis (ou vocês se esqueceram de que livro é feito de papel, matéria viva?).

Não sei onde li isto, só sei que era num texto indicado por algum professor da faculdade de jornalismo: o livro somente desaparecerá quando um novo homem surgir. E acho que é isto o que está ocorrendo: uma nova sensibilidade está surgindo com essa nova linguagem propiciada pelos aplicativos-livros que hoje rodam em tablets e outros dispositivos móveis.

Porém, não consigo crer que a literatura – e com ela, os bons leitores e editores – tenham algo a perder com a quantidade desses novos recursos. Penso que devíamos estar felizes por ter a possibilidade de materializar e expandir o Livre impossível de Mallarmé. Esse livro infinito, que se refaz a cada leitura, desde sempre buscado pelo que se chama de vanguarda poética.

Os tablets aprimoram a ideia do holograma, da poesia combinatória, poesia sonora, visual, digital. Aliás, ele é capaz de integrar todas essas experiências poéticas em uma única mídia. Bem me lembro quando, em 2001, eu entrava em sites procurando a tal poesia digital e apenas encontravas tentativas toscas (perdão) de mixagem de imagem em movimento/vídeo. Imagino agora quem seria o primeiro a adaptar para tablets os livros Solida, de Wladimir Dias Pino, e 100.000.000.000.000 de poémes, de Raymond Queneau. Alguém se habilita?

O sonho de Mallarmé, perseguido durante toda a sua vida, era dar forma a um livro integral, um livro múltiplo que já contivesse potencialmente todos os livros possíveis; ou talvez uma máquina poética, que fizesse proliferar poemas inumeráveis; ou ainda um gerador de textos, impulsionado por um movimento próprio, no qual palavras e frases pudessem emergir, aglutinar-se, combinar-se em arranjos precisos, para depois desfazer-se, atomizar-se em busca de novas cominações. Esse livro, o Livre de Mallarmé – jamais pôde ser concluído (mas a um livro desses cabe a ideia de completude?), restando apenas, como indícios do projeto, fragmentos, anotações esparsas, apontamentos quase ilegíveis, recuperados graças a um notável trabalho filológico de Jacques Sherer (1957). O Livre deveria ter uma forma móvel, seria mesmo um processo infinito de fazer-se e refazer-se, algo sem começo e sem fim, que apontaria continuamente para novas possibilidades de relações e horizontes de sugestões ainda não experimentadas. Suas “páginas” (se é que se pode chamar assim) não obedeceriam a uma ordem fixa, seriam intercambiáveis e se deixariam permutar em todas as direções e sentidos, segundo certas leis de combinação que elas próprias, na sua procura do orgânico, engendrariam. Já não se trata nem mesmo de uma obra aberta ou potencial, um livro onde os poemas estariam em estado latente e em que, a patir de um reduzido número de células de base, se oiderua realizar milhares de possibilidades combinatórias. Trata-se verdadeiramente de um livro-limite, “o limite da própria ideia ocidental de livro”, como diz Haroldo de Campos (1969:19), que desafia os nossos modelos habituais de escritura e aponta para o livro do futuro, “le livre à venir” , esse livro que, segundo Blanchot (1959:335), já não está verdadeiramente em lugar nenhum, nem se pode mais ter nas mãos.

Arlindo Machado, “O sonho de Mallarmé”, no livro Máquina e imaginário, p. 167-168. Edusp, 2001.

—-
encontrei isso num rascunho de 2010. não sei por que não publiquei. ainda concordo comigo :)

Primeiro insight

Posted in coisas da vida by letícia féres on janeiro 2, 2011

Hoje no Forte de Copacana

À MEIA-NOITE DAREI SHUTDOWN, COISA SOBRENATURAL

Posted in coisas da vida, piores poemas by letícia féres on dezembro 8, 2010

 

A noiva cadáver

dedicou-se aos estudos do sobrenatural
transmitiu-nos uma energia quase sobrenatural
forças sobrenaturais
supernatural

muitas pessoas nos enviam e-mails sobre ovnis
algumas partes de arquivos inéditos do cablegate fazem reverências aos ovnis

wikileaks são ovnis

vocês acreditam que prenderam um ET ilegalmente por estupro, assédio sexual e coerção?

a informação sobre objetos voadores não identificados é tratada com reserva ou segredo pelas potências mundiais

mas isso é natural

.

.

.

onde está o sobrenatural?
onde está o sobrenatural?
na wikipedia?
o que é, está ou parece estar além do natural?

o wi-fi não é natural
mas o google é
uma coisa sobrenatural

a anilina
o plástico
o vidro
as camas de viscoelástico da nasa
os travesseiros de viscoelástico da nasa

ó, coisas
sobrenaturais

os foguetes de são joão
as balas chita
a caveira maia de cristal
o pirulito zorro
o castelo de greyscow

voe, ventania,
coisa sobrenatural

a maldição do boneco fofão
a maldição da boneca xuxa

coisa sobrenatural,
e o disco toca de trás pra frente enquanto a boneca te enlaça com as pernas num ilariê orgástico

é uma coisa sobrenatural
o pacto do paquito com o pacote de sucrilhos

coisa sobrenatural,
eu te digo:
o jogo do copo
o capeta do vilarinho
a moça do algodão

[um hamlet moderno não segura a caveirinha não]

sobrenatural é a coisa
sobre a natureza da coisa

é sobrenatural
uma coisa
sobre aquele pedaço de pão

cortando-se a si mesmo
num molho de puro poltergeist

não é uma aparição
é uma coisa
sobrenatural

repare
não faça disso um alarde
não entre nessa correria
pare

não corra, maria
não corre, cotia
não torra,Totia

porque isto é uma coisa.
é uma coisa sobrenatural.

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posto 6

Posted in coisas da vida by letícia féres on dezembro 5, 2010

um ano entre os humanos

Posted in escritos de outrem by letícia féres on novembro 29, 2010

você já sabe que pode, mediante exercícios diários, e sob condições especiais, tornar-se mais humano? a filha da madonna é humana? você beberia sangue humano? pensa que um facínora humano saberia distinguir o sangue de uma barata do de um homem humano? de onde você extrai a certeza de que sua mãe é humana? a barbie é humana? você acreditaria se lhe dissessem que michael jackson, quando bebê, tinha feições humanas? o que faz de um humano, humano? charles darwin era humano? você comeria carne humana? seu médico é humano? negros são humanos? se você dispusesse de tempo e paciência bastantes para permanecer na fila de inscrição para um programa de auto-clonagem financiado pelo s.u.s.. gostaria que seu clone tivesse quais de suas qualidades consideradas humanas? e quanto a se casar com um humano? você acredita em humanos? errar é humano? acha que um cyborg digno desse nome conseguiria viver mais de um ano entre os humanos? os sonhos dos políticos são da mesma matéria de que são feitos os sonhos dos humanos? aparelhos de tv podem, por sua própria vontade, imitar, com êxito, vozes humanas? qual bicho ou máquina você gostaria de ser, caso não fosse humano? o corpo humano, para você, também é máquina? o “super homem” é humano? você, que acha que cachorros e computadores conectados à grande rede são os melhores amigos dos humanos, deixaria sua mulher ir ao cinema com seu cachorro ou com seu micro? humanos que matam humanos são inumanos, desumanos, humanos–feras ou apenas humanos? e os que clonam humanos? você faria filhos pós-humanos com um(a) cyborg? você aceitaria misturar seus hormônios humanos aos de um touro, para dessa forma assegurar a seus prováveis descendentes uma quota mais abundante de leite? esse chip em seu cérebro ou sua alma imortal – o que, no fim das contas, faz de você um humano? você é humano?

adoro esse texto-performance do ricardo aleixo, que me faz pensar em questões profundíssimas nestes tempos.

gatus

Posted in coisas da vida by letícia féres on setembro 5, 2010

chato ser moderno

Posted in classificados, coisas da vida, poesia & literatura, poetas by letícia féres on agosto 21, 2010


quando me mudei para copacabana, no carnaval, fiquei surpresa com as reações das pessoas quando encontravam a estátua do drummond. algumas abraçavam a estátua, outras davam beijios e havia até quem colocasse um chapéu enorme e esquisito na cabeça do drummond! e a surpresa de ver o encontro entre público e estátua/drummond foi aumentando com o passar do tempo, de modo que achei que o mínimo que eu podia fazer era registrar esses momentos. como agora ganhei uma camerinha digital de aniversário, o projeto está aí: chato ser moderno. diariamente vou fotografar a estátua do drummond, que fica no rio de janeiro, no posto 6, e vou postar para todo mundo ver o que andam aprontando com o danado. não são necessariamente fotos boas, mas são fotos que me deixaram feliz.

no primeiro dia de observação, posso dizer que nunca vi alguém mais beijado do que essa estátua! o que é que esse mineiro tem?

cariocas

Posted in coisas da vida, escritos de outrem by letícia féres on agosto 21, 2010

Como vai ser este verão, querida,
com a praia, aumentada/ diminuída?
A draga, esse dragão, estranho creme
de areia e lama oferta ao velho Leme.
Fogem banhistas para o Posto Seis,
O Posto Vinte… Invade-se Ipanema
hippie e festiva, chega-se ao Leblon
e já nem rimo, pois nessa sinuca
superlota-se a Barra da Tijuca
(até que alguém se lembre
de duplicar a Barra, pesadíssima).
Ah, o tamanho natural das coisas
estava errado! O mar era excessivo,
a terra pouca. Pobre do ser vivo,
que aumenta o chão pisável, sem que aumente
a própria dimensão interior.
Somos hoje mais vastos? mais humanos?
Que draga nos vai dar a areia pura,
fundamento de nova criatura?
Carlos, deixa de vãs filosofias,
olha aí, olha o broto, olha as esguias
pernas, o busto altivo, olha a serena
arquitetura feminina em cena
pelas ruas do Rio de Janeiro
que não é rio, é um oceano inteiro
de (a) mo (r) cidade.
Repara como tudo está pra frente,
a começar na blusa transparente
e a terminar… a frente é interminável.
A transparência vai além: os ossos,
as vísceras também ficam à mostra?
Meu amor, que gracinha de esqueleto
revelas sob teu vestido preto!
Os costureiros são radiologistas?
Sou eu que dou uma de futurólogo?
Translúcidas pedidas advogo:
tudo nu na consciência, tudo claro,
sem paredes as casas e os governos…
Ai, Carlos, tu deliras? Até logo.
Regressa ao cotidiano: um professor
reclama para os sapos mais amor.
Caçá-los e exportá-los prejudica
os nossos canaviais; ele, gentil,
engole ruins aranhas do Brasil,
medonhos escorpiões:
o sapo papa paca,
no mais, tem a doçura de uma vaca
embutida no verde da paisagem.
(Conservo no remorso um sapo antigo
assassinado a pedra, e me castigo
a remoer sua emplastada imagem.)
Depressa, a Roselândia, onde floriram
a Rosa Azul e a Rosa Samba. Viram
que novidade? Rosas de verdade,
com cheiro e tudo quanto se resume
no festival enlevo do perfume?
Busco em vão neste Rio um roseiral,
indago, pulo muros: qual!
A flor é de papel, ou cheira mal
o terreno baldio, a rua, o Rio?
A Roselândia vamos e aspiremos
o fino olor de flor em cor e albor.
Um rosa te dou, em vez de um verso,
uma rosa é um rosal; e me disperso
em quadrada emoção diante da rosa,
pois inda existe flor, e flor que zomba
desse fero contexto
de metralhadora, de seqüestro e bomba?

-  do drummond, meu vizinho

daqui

orai, pecadores

Posted in a realidade essa fanfarrona, sobre poesia e literatura by letícia féres on agosto 16, 2010

vamos aí fazendo as contas, moçada, porque ainda há tempo. é a poesia medieval nos proporcionando mais tranquilidade na vida pós-pecados terrenais.

via carolina leal

um obscuro encanto

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 10, 2010

Importante tradutor e crítico de poesia moderna, o poeta Claudio Willer lança nesta quinta-feira, em São Paulo, o resultado de sua tese de doutorado: Um obscuro encanto. O livro apresenta de forma crítica a prática da poesia e suas relações com tradições obscuras de conhecimento – como a gnose e o gnosticismo –, desde a modernidade até hoje. Poetas chamados malditos, como Baudelaire, Rimbaud, Nerval, Mallarmé e Hilda Hilst, aparecem nesta importante obra de Willer como aqueles que tentam chegar à originalidade e à sabedoria a partir da experimentação com a palavra.

the book inscriptions project

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 8, 2010

Gertrude, you are
honest.
I love you
I love your sentences
And sometimes you are
a paragraph.
I love you with my mind
(and secretly feel a good
deal of mystical
sentiments)
And I am grateful to
you because I am a
disciple, and disciples
are grateful.
You are snob, but you are
in love with the expression
of truth. And I love you.

The Autobiography of Alice B. Toklas by Gertrude Stein

***

no  site the book inscriptions project você vê inscrições encontradas em livros: não apenas dedicatórias, mas também observações – e até bilhetes para os autores, como o daí de cima.

via

longe daqui, aqui mesmo

Posted in coisas da vida by letícia féres on agosto 7, 2010

na 29.a Bienal de São Paulo, deste ano, eu e Fabio Morais faremos uma biblioteca que se chamará Longe daqui, aqui mesmo. Ela será um dos terreiros da mostra que, dentro do projeto curatorial, são áreas de pausa, convívio, celebração,  reflexão, mistura.

Uma das coleções de livros que haverá em nossa biblioteca será formada por publicações de artistas. Para a formação desse acervo, estamos fazendo um convite aberto, como pode ser visto nos anexos que lhes envio aqui (um em português, em inglês e espanhol). Peço, babelicamente, que ajudem-nos a divulgar o máximo possível este convite!

Por favor, repassem este e-mail! Conto com vocês!

E, claro!, este e-mail também é para dizer que, se tiverem alguma publicação e quiserem contribuir, ficarei gratíssimo!

Um grande abraço,

Marilá

*********
Marilá Dardot
mariladardot@mariladardot.com
www.mariladardot.com


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