a ribalta pernambucana
para comemorar a reabertura do teatro glauce rocha, no centro do rio, a funarte trouxe vários espetáculos pernambucanos de teatro e dança, num projeto chamado a ribalta pernambucana. todos os espetáculos têm entrada gratuita, para ver a programação, visite o site da funarte.
hoje fiquei muito feliz/emocionada/encantada com a peça angu de sangue, do coletivo angu de teatro. o texto genial do marcelino freire foi absurdamente bem encenado.
angu de sangue foi a primeira peça do coletivo, e é impressionante como eles usam bem vídeo e o restante dos elementos cênicos. sem falar dos atores, realmente ótimos. a plateia foi absolutamente abduzida/seduzida por eles.
e o angu de teatro avisou que em setembro volta ao rio com rasif – mar que arrebenta =)
poetas e academia
“Parece razoável dizer que a posição do professor de poesia representa não somente uma visão acadêmica do ‘poeta’, mas uma visão do ‘poeta’ como ele ou ela deve existir na academia.”
a frase retirada do artigo “poets, academis – a couplet in conflict”, publicado no the new york times, se refere a professores de poesia em universidades americanas, num contexto totalmente diferente do que existe no brasil, mas é legal pra gente pensar um pouco nos professores – e poetas e universidades – que temos aqui.
o desejo do contemporâneo
saiu hoje, na folha, o artigo “o desejo do contemporâneo”, assinado pelo antonio cicero. dá pra ler o texto aqui, no site do recanto das letras.
renatinha me mandou um e-mail sobre o artigo:
fiquei com uma pulguinha atrás da orelha com o texto do Antônio Cícero publicado hoje na Folha………muito bem escrito, como sempre, mas o recorte de Deleuze, não sei não………me parece que Deleuze quis dizer contra a ideia de livro sagrado, acima do bem e do mal, cartilha da verdade, dono de toda a sabedoria etc etc………..e pra falar a verdade, sempre fico irritada com esse discurso de ler os clássicos, acho que é trauma de trabalhar com professor engessado………….porque todo mundo já sabe que é fundamental ler os clássicos, quem é contra isso, meu Deus????…………mas quase todo mundo joga pedra em ler os contemporâneos, como se eles sempre fossem inferiores a………………….alguns deles serão os clássicos do futuro……….**
e eu aí fiquei pensando que é engraçado como o antonio cicero não considera níveis diferentes de contemporaneidade. posso ser contemporânea da máquina de escrever, do nicholas negroponte, do josé sarney, do iphone e do fogão à lenha da casa da minha avó. aliás, sou contemporânea da minha avó e do filho do meu sobrinho.
ultimamente tenho pensando muito que esse amor aos clássicos revela, sim, uma tentativa de manter determinadas castas intelectuais ainda hoje, tempo em que, teoricamente, todos têm acesso aos saberes. a academia sacraliza o saber erudito, a poetagem pop sacraliza esse saber contemporâneo de que o cicero fala. e onde nós, que buscamos algo além, ficamos?
nunca fui contemporânea à ideia de paideuma, do ezra pound. prefiro, assim como o mario chamie, a mãedeuma, bem mais afim com certa contemporaneidade matriacal. não posso acreditar que ter lido cassandra rios tenha sido menos importante do que ter lido shakespeare, para a minha história da literatura individual.
como disse francis ponge, poeta de quem, quero crer, sou contemporânea esteticamente, “se eu prefiro la fontaine, a mais ínfima fábula, a schopenhauer ou hegel, eu bem sei por quê.”
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ah, e e eu adoro os poemas do antonio cicero =)
nunca sem minha filha




vim pro rio, mas ana ainda está em bh com paulim e rené, aguardando a gente ir pra uma casinha que a aceite. paulim querido me mandou fotinhas dela pra eu matar saudade. mas a saudade virou gremlin e triplicou.
é muita fofura e doçura em uma gata só… ôooo… e ainda com soninho…
o que é o amor pra você, hoje?
achei lindo-lindo, doce e delicado o videozinho que a dani arrais e amigos fizeram. vejam o post original no blog don’t touch my moleskine
me lembrou os poemas do luís filipe cristóvão, o homem que abandonou o blog 1979 para se dedicar a o homem que queria ser luís filipe cristóvão.
paisagem e micropolítica
nesta semana e na próxima tem lançamento no rio de janeiro e em são paulo dos dois primeiros livros da coleção jardim de bolso: banquetes: expansões do doméstico e lotes vagos: ocupações experimentais, ambos resultantes do trabalho dos artistas e arquitetos breno silva e louise ganz.
dia 23 de maio, sexta-feira, o lançamento será na galeria a gentil carioca, no rio de janeiro, e no dia 26 de maio, terça que vem, na galeria vermelho, espaço tijuana, em são paulo.
querem saber mais sobre o “lotes vagos”? visitem o blog do projeto.
vejam aí abaixo o convite do lançamento, com o programa =)

¡pliegues!

Pliegue de Olalla Hernández saindo do forno
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A Radio Diane, da Editora Delenda est Cartago, fez um programa sobre os Pliegues. Ouça lá, é só clicar!
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Pliegue de Andi Arias à meia-luz
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Veja onde os Pliegues podem ser encontrados no Rio
- Sebo Berinjela: Av. Rio Branco, 185 – loja 10 – Centro
- Livraria da Travessa: Travessa do Ouvidor, 19 – Centro
- Instituto Cervantes: Rua do Carmo, 27 – Centro
- Cine Odeon: Praça Floriano 07 – Cinelândia
- Cinemathèque: Rua Voluntários da Pátria, 53 – Botafogo
- Espaço de Cinema: Rua Voluntários da Pátria 35 – Botafogo
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meus pliegues: fotos de olalla

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No blog do projeto já podem ser lidos os textos que integram a 2a. ronda dos Pliegues
metamorfosis
a marta, do a lot of coisas, fez um post que me lembrou o uakti tocando músicas do philip glass. e eles são uma coisa tão belo horizonte… mais precisamente belo horizonte de quando eu trabalhava na crisálida – e até parece que é trocadilho com o título da música…
a origem da gripe do porco

foi a lu moreno querida que me mandou essa foto. adorei… haha
banheira
adorei esse clipe… para uma versão mais arrumadinha da música, entre lá no my space da natalia mallo
razões adicionais 2
eu tô gostando do assunto de “fastfoodização”, proposto pela cindy, e é uma coisa na qual eu estava pensando solitariamente até ela mandar o e-mail, postar e, agora, dar continuidade à coisa em outro post. se você quiser ler o que ela anda escrevendo, pule lá pro a lot of coisas.
razões adicionais para o amô/razões adicionais para blanchot
de cindyleopoldo@gmail.com
para leticiaferres@gmail.com
data 22 de abril de 2009 10:29
assunto “Salvando”, em nome de Jesus
enviado por gmail.com
Estava lendo a introdução do Formação da Literatura Brasileira, do Antonio Candido, e pensando nas duas páginas iniciais que tava lendo na manhã de segunda (Sobre o nomadismo: Vagabundagens pós-modernas, de Michel Maffesoli). A ligação se deu quando o Antonio Candido disse que passou 6 anos escrevendo o livro e eu fiquei pensando como isso vai contra todo o universo cultural médio que nos bombardeia e mantém em cativeiro: jornais, tv, revistas, livros, internet etc.
Fiquei feliz quando li o Maffesoli dizer sobre o “fast food teórico”. Ok, já cansei de ouvir sobre isso, mas veio agora em um bom momento, em que eu tenho pensado muito sobre a vida fast food que colegas e família te cobram viver. Você tem que sair, encontrar amigos, visitar a família, ver todos os filmes, exposições, conhecer as bandas novas, saber tudo sobre o mercado em que atua, falar todas as línguas possíveis, ganhar mais dinheiro sempre, fazer sexo, beber álcool, estar em ambiente com barulhos… Você não pode parar e se concentrar calado, sozinho e em silêncio porque essa não é a imagem positiva, essa é a imagem do sofrimento, da solidão, do infeliz.
É um inferno. O positivo é estar desfocado, com muita gente falando ao mesmo tempo, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo e, se possível, entorpecido de alguma maneira. Sua opinião tem que ser dada imediatamente, tem que ser curta e seguir a receita do que parece inteligente: ser irônico, parecer desinteressado, usar humor pra explorar possíveis absurdos de modo que tudo pareça absurdo e seja uma prova de que “nada faz sentido e por isso o lance é aproveitar a vida”.
Se antes era só uma questão cultural fast food, agora é uma forma de levar a vida, o “eu não me estresso”. As amizades fast food, os namoros fast food, as inimizades fast food, as relações cotidianas familiares ou não fast food… Isso me leva ao suicídio, acho, em até 3 meses. Isso é o que eu chamo de solidão, uma falta grave de concretude, de realidade interna, ou, mais bonito, de narrativa interna. Sempre que me perco em ilusões e gritarias e dentes expostos em sinal de felicidade, eu volto pro meu livro interno, que só devo acabar de ler e escrever quando eu morrer, ou nem aí. Daí eu volto a ler onde nasci, como foi a infância, o que eu queria naquela época, do que eu sempre gostei e tento novamente me ligar ao que eu sou pra me afastar dessa loucura triste.
E nada disso me salva de ser rasa. Só me salva do suicídio. Mas a dificuldade para ler mais de duas páginas ou só a introdução permanece. É um caralho de um esforço contínuo tentar pensar sempre na mesma coisa e fazer esse pensamento progredir, se aprofundar. Poucas vezes sinto minha mente realmente se aprofundando, tentando se ultrapassar. Acredito que preciso de um mestrado (engenharia de produção ou teoria da literatura, tanto faz) para me forçar, o que é uma vergonha para a humanidade, que já teve por exemplo a Civilização Grega e agora tem eu tentando manter um pensamento.
quanto vale o show?
eu valho $3515.
eu tenho só 35% de chance de sobreviver a um apocalipse zumbi.
eu sou 59% geek e tenho 80% de chance de ser sinestésica.
eu posso sobreviver 60 segundos no vácuo e 159 dias trancada na minha própria casa.
meu corpo poderia alimentar 7 canibais e eu passaria em uma aula de ciências da oitava série dos eua com nota B-.
eu poderia vencer 9 crianças de 5 anos numa luta e 11 velhinhos de 90 anos.
eu não sei como vivi até hoje sem saber disso.
- comentário da juliana coelho no a lot of coisas
o circo de alexander calder
vi esse vídeo fofo e outras coisas legais no site da artforum
vi esse vídeo e fiquei pensando que o senso de humor é sempre importante. principalmente quando vem acompanhado de doçura.
que saudade de você

maria da consolação tenta se enturmar no leblon
ontem eu estava cozinhando – longe da maravilhosa cozinha de rené – e ouvindo a sensacional seleção musical feita por flávia e fred pra minha partida/chegada/morada. uma das coisas que mais me impressionou foi a pegada roquenrou-bailinho de posto dessa baladinha que está lá no dipindura pra ser ouvida (é só clicar). ela é a música que encerra o cdzinho… e o legal é que a melodia dela também dá uma sensação nostálgica na gente (isso é que é tradução intersemiótica!)..
quis colocar uma imagenzinha no post e me lembrei que o pessoal anda pedindo notícias… aí resolvi matar dois coelhos com uma caixa d’água só: aproveito para apresentar a vocês maria da consolação, animada cicerone da minha primeira semana na cidade maravilhosa. hoje, é claro que ela não liga mais. talvez esteja ocupada, em alguma festinha no edifício chopin, com glória maria e narcisa.
bom, mas chega de rancores, que meu coração não nasceu pra isso. vejam só: no feriado, fomos ao projac, e maria consolação teve um momento comadre com a meiga e eterna gabriela:

maria da consolação diz: “ameega!”
e, claro, não poderia deixar de ser registrado o encontro de consolação com a musa heleninha, a legítima, i.e., a única que cai do salto, mas não solta as tiras:

maria vive momentos de tensão com heleninha
* maria da consolação foi meu prêmio off bienal dos piores poemas 2006. na verdade, ele me foi cedido gentilmente por rafael alvarenga – aquele que talvez jamais mande notícias.
ars poética/operação limpeza
Assi me tem repartido extremos, que não entendo…
(Sá de Miranda)
I-
SAUDADE é uma palavra
Da língua portuguesa
A cujo enxurro
Sou sempre avesso
SAUDADE é uma palavra
A ser banida
Do uso corrente
Da expressão coloquial
Da assembléia constituinte
Do dicionário
Da onomástica
Do epistolário
Da inscrição tumular
Da carta geográfica
Da canção popular
Da fantasmática do corpo
Do mapa da afeição
Da praia do poema
Pra não depositar
Aluvião
Aqui nesta ribeira.
II-
Súbito
Sub-reptícia sucurijuba
A reprimida resplandece
Se meta-formoseia
Se mata
O q parecia pau de braúna
Quiçá pedra de breu
Quiçá pedra de breu
CINTILA
Re-nova cobra rompe o ovo
Da casca velha
SIBILA
III-
SAUDADE é uma palavra
O sol da idade e o sal das lágrimas
- do Waly Salomão, publicado origalmente na Revista Imã.
Sei que está no Mel do melhor. Em algum outro livro mais?